Andréa del Fuego, 36 anos, estreou-se literariamente em 2004 com a antologia de contos 'Minto enquanto posso'. O ano passado experimentou a escrita para a infância, tendo editado 'Irmãs de pelúcia'.
A escritora, natural de São Paulo, tem formação em publicidade, fez produção de cinema e realizou duas curtas-metragens, 'Morro da Garça', inspirada nas paisagens de Guimarães Rosa, e 'O Beijo e Ela'.
O apelido 'Fuego' serve o seu pseudónimo e provém de uma bailarina naturalista brasileira, Luz del Fuego, que dançava semi-nua, dominando uma cobra.
Antes de se dedicar à literatura, Andréa del Fuego colaborou em várias revistas, nomeadamente assinando uma coluna em que respondia a dúvidas sexuais de leitores de uma revista de rádio paulista.
Em 2005 editou 'Nego Tudo' a que se seguiu, em 2007, 'Engano seu' e, em 2009, 'Nego fogo'.
Entretanto, lançou os títulos juvenis 'Quase caio' e 'Sociedade da Caveira de Cristal', em 2008.
A autora está incluída nas antologias '30 Mulheres que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira', 'Os cem menores contos brasileiros do século', 'Fábulas da Mercearia', 'Doze' e '69/2 Contos Eróticos'.
Integra também a coletânea '35 Segredos Para Chegar a Lugar Nenhum', editada em Outubro passado pela Bertrand Brasil.
Sobre 'Os Malaquias', Andréa del Fuego afirmou ao diário Folha de São Paulo que a história começou "com um facto familiar pouco falado em casa". "Esse silêncio foi deixando o passado cada vez mais místico. Parti desse silêncio, desenhando o que teria sido a orfandade do meu avô Nico".
"Perder os pais para um raio, não passaria em branco, essa força abundante que acontece entre céu e terra, um coração é fraco para absorver tanta eletricidade. Fico intrigada por forças que, por ganhar nomes e descrições, acabamos por achá-las normais, quando nunca deixará de ser um espetáculo toda tempestade", contou.
E acrescentou ao diário paulista: "O realismo mágico ajuda muito nisso, sair dos factos lineares. Uma fuga consciente, tranquila e com retorno para casa garantido. O realismo mágico exige ainda mais do leitor: um pacto de cooperação. É um jogo arriscado e irresistível".
O escritor Vasco Graça Moura, membro do júri desta edição do Prémio Saramago, afirma que a laureada "transfigura, numa impressiva obra de ficção, a cruel banalidade da existência de três desgraçados irmãos órfãos, nascidos no rude ambiente de uma fazenda da Serra Morena, que a vida separa desde muito pequenos".
"Escrita surpreende insuspeitados recursos de estranheza na coloquialidade quotidiana, e desenvolve-se num ritmo muito seguro, perturbante e por vezes quase alucinatório", atesta ainda o Graça Moura.
Esta é a sétima edição do Prémio Saramago, tendo sido os anteriores vencedores Paulo José Miranda, Adriana Lisboa, José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares, Valter Hugo Mãe e João Tordo.
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