Adeptos temem represálias
Segundo uma fonte próxima dos No Name, as quotas deixaram de ser pagas e os conflitos aumentaram. Miguel, ou o “Gordo”, residente na Brandoa, começa a ser conhecido pela polícia e é, várias vezes, apontado como autor de actos violentos contra adeptos rivais. Segundo fonte policial, não actuava sozinho. Mas, como continuou em liberdade, mesmo após ser detido por posse de arma ilegal e por droga, “julgava-se impune”. A mais recente namorada, uma das duas mulheres constituídas arguidas, acha tudo tão divertido que até sorri quando conta que o carro foi apreendido por cheirar a droga. Outros adeptos não acham tanta piada. Têm medo de represálias e fecham-se quando lhes pedem informações. Têm medo “deles”, mas acreditam que apenas um pequeno núcleo da claque manche a imagem dos No Name. Há adeptos que pagaram sempre do seu bolso os bilhetes e as viagens. A droga serviria apenas ao núcleo duro.
Há sportinguistas entre os arguidos
Mário continua sem dar sinal de vida e nem sequer foi detido na operação. Já Miguel terá sido um dos suspeitos que ateou fogo a um membro da claque sportinguista Juve Leo – culpando-o de fogo posto à “casinha”, a sede dos No Name no Estádio da Luz. As ligações dos No Name aos adeptos do Sporting não são apenas de ódio. Entre os arguidos ontem ouvidos no Tribunal de Instrução Criminal estava uma mulher. “S.” é sportinguista e está apenas ligada à claque porque compraria droga ao núcleo duro dos No Name.Um outro adepto do Sporting foi detido pelos mesmos motivos. “Alguns arguidos nada tinham a ver com os No Name”, esclarece uma fonte da PSP ao 24horas.
No Name ainda têm chave da “casinha”
O Benfica recusa prestar declarações ao 24horas mas o assessor jurídico do clube, Paulo Gonçalves, negou ontem ao “Diário de Notícias” qualquer apoio às claques. Mas fonte próxima dos No Name garante que sempre teve desconto nos bilhetes, pelo menos até Julho deste ano – quando, numa assembleia- geral, Luís Filipe Vieira exigiu a legalização dos No Name. Nessa noite, o presidente teve de ser escoltado pela polícia até ao parque de estacionamento do Estádio da Luz. Dezenas de supostos adeptos encarnados, alegadamente afectos às claques do clube, acompanharamno desde o interior de um dos pavilhões, insultando-o e ameaçando-o fisicamente. Nessa assembleia-geral foi aprovado por maioria o orçamento do clube para a próxima época desportiva. E o presidente disse que só ajudava as claques quando elas se legalizassem. Tarde de mais. Terá sido o presidente do Benfica quem cedeu a “casinha” à claque – que ainda tem a chave na sua posse. E é o Benfica que está a pagar as obras, depois do incêndio, e que promete devolver a “casinha” assim que as obras terminarem. A PSP confirma. O Benfica desmente.
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